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As hidrelétricas no Rio Parnaíba e o abastecimento de Água em Teresina
Publicado em 22.07.2008 - 13:31:53

Mas a decisão está nas mãos da sociedade. Teresina já sofre bastante com o abastecimento de água nos meses de agosto a dezembro. Com a construção de todas HE previstas a situação vai piorar muito.

O Governo do Piauí tem alardeado que 5 hidrelétricas devem ser construídas no rio Parnaíba. Todas localizadas acima de Teresina. A primeira entre Palmeirais e Teresina, a segunda, entre Floriano e Guadalupe, a terceira em Uruçuí, a quarta em Ribeiro Gonçalves e a quinta HE em Santa Filomena.

O Governo tem tratado o assunto trancado em sete chaves. A participação da sociedade civil no processo é inexistente. Como diz o ditado: “O Governo sabe o que é bom para o povo”, principalmente quando no negócio tem muito dinheiro. E assim leva o projeto adiante sem que a sociedade piauiense tome conhecimento dos desastres que podem ser gerados caso essa obra faraônica venha a ser construída.

O Governador do Estado já disse que tem 2 bilhões disponibilizados para o início das obras. Se duvidar já tem até as empreiteiras. Só não quer discutir quais os custos sociais e ambientais. Para a construção dessas HE a área que deve ser inundada é muito superior à área inundada pela barragem de Piaus, entre São Julião e PIO IX, onde 200 famílias tiveram que sair dos locais onde moravam e perderam suas terras. Todo o mundo é conhecedor de que até o momento nenhuma indenização ou qualquer compensação foi feita a uma família sequer. Imaginem 3 mil famílias que deverão ser desalojadas nas margens do Parnaíba pela inundação que será provocada pela construção dessas obras sem planejamento. O que querem mesmo é gastar o dinheiro público e desviar parte dele.

A prioridade do Governo LuLLa e WD, ambos do PT, é investir em obras de infra-estrutura. E por quê? É onde melhor se desvia “grana” para posterior custeio de campanhas políticas. Estudos no Brasil mostram que de cada 10 reais aplicados em infra estrutura, pelo menos 6 são desviados.

O Governo do Piauí não quer discutir a construção das HE. Mas é de suma importância que a população saiba os riscos que corre caso esse projeto megalomaníaco venha a se concretizar. E a população precisa saber antes que as barragens sejam construídas, pois depois do fato consumado fica mais difícil tomar alguma providência.

O problema mais grave que virá com a construção das HE é o abastecimento de água de Teresina. O rio Parnaíba pode secar depois da última hidrelétrica. Cerca de 400 Km do rio, de Palmeiras ao Delta, devem virar um esgoto sem água. Outro problema não menos grave é a situação do Delta, um dos mais importantes do Mundo. Sem água no rio não tem Delta. E terceiro é o comprometimento do bioma Manguezal, que se forma justamente por ocasião da junção da água doce do rio Parnaíba com a água salgada do mar.

Mas a decisão está nas mãos da sociedade. Teresina já sofre bastante com o abastecimento de água nos meses de agosto a dezembro. Com a construção de todas HE previstas a situação vai piorar muito. Mas se a população manifestar-se é possível evitar um mal muito grande que se avizinha ao rio Parnaíba e às comunidades, de forma silenciosa e muito bem manipulada pelo Governo com o intuito de convencer a sociedade que mais uma atrocidade ambiental é desenvolvimento.

Por isso vamos antecipar como fizemos com a “estória” da Bunge e da Brasil Ecodiesel. Alertamos em vão que a vinda da Bunge e da Brasil Ecodiesel não representava desenvolvimento para o Piaui. Seria apenas um aparelhamento dos meios de produção para beneficiar alguns e destruir toda a riqueza natural do Estado. Cinco anos depois a população do Cerrado do Piauí já pode comprovar o desastre na região, rios e riachos secos, trabalhadores rurais morrendo envenenados por agrotóxicos, o desmatamento em níveis alarmantes, a favelização dos centros urbanos, grilagem de terra. O discurso como sempre é o mesmo e igual ao anterior, falacioso e mentiroso, gerar emprego. É o discurso do convencimento de um povo que vive à beira da miséria com o bolsa esmola.  A Bunge apesar de ter uma isenção fiscal de 15 anos não gerou os 10 mil empregos prometidos, não gerou trezentos. Diretamente na fábrica, dos 517 prometidos, foram gerados apenas 50, e só, para jogar lenha dentro das caldeiras, que funcionam 24 horas e queimam mil metros cúbicos por dia.

O biodiesel, mesmo com o Presidente LuLLa de garoto propaganda, não decola. Nenhum país sério acredita nessa estória de azeite de mamona para combustível. Estudos comprovam que os impactos ambientais para produzir azeite de mamona para combustíveis são muito superiores caso se continue queimando os fósseis. A Brasil Ecodiesel no Piaui é o melhor exemplo desse projeto falido. O Santa Clara que seria para produzir mamona, produz carvão sem licenciamento do IBAMA. Os trabalhadores desse projeto passam fome e sede num paraíso prometido.

É pouco aconselhável correr o risco de permitir a construção dessas HE, sobretudo porque o mau-exemplo já existe, o da soja, do carvão, da lenha, da mamona, do eucalipto, do diamante em Gilbués. O Piauí não melhorou os seus índices de saúde pública, de educação e outros nesses últimos cinco anos porque destruiu o seu meio ambiente natural. Só não vê quem não quer. “Será que a prioridade para o Piauí é construir cinco HE no rio Parnaíba? Ou isso é a prioridade do Governador WD?

Ainda em tempo. Ontem foi organizado o Grito da Terra pela FETAG-PI. A estrela da manifestação foi o Deputado João de Deus, líder do Governo na Assembléia. Queria ver, caso o Governo do Piaui fosse do DEM, que a FETAG-PI permitisse que um deputado de Governo se pronunciasse. É esse o movimento sindical que hoje temos no Brasil e no Piauí, apenas subserviente e conciliador. Em nível ministerial o LuLLa deu logo o Ministério do Trabalho para a CUT, para calar a boca do movimento. No Piauí todos os sindicatos do PT estão no Governo. Os dirigentes da FETAG-PI pertencem ao PT ou ao PC do B. O que podemos esperar de um movimento que tem como fundamento apoiar Governos? Os trabalhadores precisam abrir os olhos para não ser massa de manobra na mão desses sabidos.
 
Judson Barros - Coordenador do FBOMS/REAPI
Presidente da FUNAGUAS


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