Fundador da Ordem Franciscana de Floriano e do Colégio Industrial São Francisco de Assis, Frei Antônio Curcio é um dos principais personagens de Floriano nas últimas décadas.
Ele estava doente há vários meses.
DADOS BIOGRÁFICOS DE FREI ANTÔNIO:
Nasceu na Itália, na cidadezinha de Montefalcone di Val Fortore, no dia 10 de julho de 1920, de um casal muito querido: ele, Michele (Miguel) Curcio, respeitado pela sua justiça; ela, Genoveffa (Genoveva) Valénzio Curcio, pela sua inteligência e sua liderança na comunidade.
A partir dos 7 anos (regulamentares na Itália naquela época) freqüentou a escola primária e no ano de 1931 entrou no Seminário Franciscano (denominado Colégio Seráfico) para cursar o ginásio.
Desde o ano de 1936 tinha começado uma intensa preparação para o Sacerdócio cursando Filosofia e Teologia na cidade de Benevento. Foi necessária muita garra e muita força de vontade, pois os tempos eram difíceis por causa da 2ª guerra mundial. E, em 19 de março de 1943, em plena guerra, tendo terminado seus estudos com 6 meses de antecipação, foi ordenado Sacerdote na Capela particular do Arcebispado de Benevento.
Logo depois da Ordenação Sacerdotal, enviaram-no à cidade de Paduli, como Mestre , no mesmo Colégio Seráfico onde ele foi acolhido em 1931. O Colégio era o início da 1ª etapa da preparação dos adolescentes que pretendiam entrar na Ordem Franciscana: preparação cultural (freqüentando o curso ginasial), preparação social e preparação religiosa. Poucos anos depois o Colégio foi transferido para a cidade de Airola e ele seguiu junto. Dedicou-se com afinco à sua tarefa como Mestre, em seguida como Vice-Diretor e por fim como Diretor. Sua tarefa era de bastante responsabilidade, pois precisava cuidar da administração, da alimentação (muito difícil porque era tempo da 2ª guerra mundial), do acompanhamento espiritual e do ensino. Assumiu para si o ensino de várias disciplinas, nas quais estava bem preparado: latim, grego, francês, matemática, história, geografia, música e canto.
Após o curso ginasial no Colégio e o ano de experiência no Noviciado, os jovens freqüentavam, numa segunda etapa, o liceu (correspondente ao nosso ensino médio atual) em outro centro de estudos na cidade de San Martino Valle Caudina, distante cerca de 14 Km. Deslocando-se 3 vezes por semana, partindo de Airola, ensinou física, química e biologia aos Franciscanos que ali estudavam em preparação ao Sacerdócio.
Ao longo destes anos o Frei Antonio mostrava, além da sua cultura, grande capacidade de organização. Os superiores então requisitaram-no para um cargo de maior confiança: confiaram-lhe a Secretaria da Província. Durante 9 meses teve sob sua responsabilidade a organização, o arquivo e a comunicação da Província Religiosa Franciscana de Nª Sª. das Graças de Benevento.
No ano de 1960, com 40 anos de idade, acolhendo o chamado de Deus para as Missões, embarcou para o Brasil.
Na confluência dos rios Tocantins e Araguaia estava sediada a Prelazia (isto é: Diocese em formação) de Tocantinópolis, confiada aos Padres Orionitas. O Frei Antonio ficou emprestado ao Bispo Dom Cornélio Chizzini para auxiliá-lo nos trabalhos pastorais.
A menos de 40 Km da cidade de Tocantinópolis, sede da Prelazia, estava localizada uma tribo de índios Apinajés, com cerca de 90 habitantes, aos cuidados do SPI (Serviço de Proteção aos Índios, a FUNAI da época). O Frei Antonio se aproximou deles, visitando-os constantemente, ajudando-os em suas necessidades, estudando sua organização tribal e social, sua religião, sua maneira de pensar e agir, suas expressões culturais, especialmente as danças, que marcam o dia a dia e os acontecimentos anuais. Ficou encantado com tanta riqueza. Estimulava-os a não perder sua identidade, seu folclore, sua organização tribal, sua maneira de viver sem descuidar das melhorias especialmente quanto à saúde. Como reconhecimento de sua amizade e seu trabalho os índios, num ato que não acontecia na aldeia havia 30 anos, resolveram dar-lhe o nome, isto é, o adotaram como integrante efetivo (e não apenas honorário) da tribo, recebendo o nome de Kangutchú Tulgaplé ´Nguklúa. A partir daquele dia nunca mais o chamaram de Frei Antonio e sim Kangutchú.
O território da Prelazia de Tocantinópolis era muito extenso e compreendia vários municípios distantes entre si. Pesquisando a situação social, religiosa, educacional, especialmente do povo do interior, o Frei Antonio ficou pasmo. Percebeu que era necessário e urgente fazer algo. Perguntou-se: haveria a possibilidade de fazer algo para melhorar a situação? Resolveu elaborar um projeto pioneiro na época: o ensino a distância pelo rádio. Discutiu o projeto com o Sr. Bispo, que deu total apoio. Mas não havia rádio na cidade.
Por conhecer profundamente a eletrônica, assumiu a tarefa da construção da emissora da cidade, destinada ao ensino a nível primário e ginasial, à comunicação, ao esporte e ao noticiário local, nacional e internacional. Por não possuir nada a não ser terreno para a construção do prédio, tijolos e cal, lançou uma campanha de arrecadação do necessário para a realização do prédio: piso, forro, telhado, portas, janelas, tintas, etc. Claro que o indispensável era o material eletro-eletrônico para a construção do transmissor, da console dos estúdios, microfones, toca–discos profissionais, receptores de comunicação, de uma reserva de resistores, condensadores, etc. A campanha foi totalmente realizada em São Paulo, visitando firmas, indústrias e lojas, graças ao considerável relacionamento e amizades de seu irmão maior Nicola, que morava na cidade de São Paulo desde o ano de 1926. Muitas vezes literalmente chorou frente a aceitação e disponibilidade dos habitantes de São Paulo.
Conseguiu totalizar 14,5 toneladas de materiais. Mas como transportar tudo até Tocantinópolis, a mais de 2000 km de distância pela BR 14, a estrada Belém-Brasília, estrada apenas rasgada no terreno e na floresta , cheia de buracos e muitos Km de areal perigoso.
O milagre aconteceu: a Força Aérea Brasileira colocou a disposição um avião C 30 (o famoso Hércules da 2ª guerra mundial!) que efetuou o transporte.
Em 1966 a Província Franciscana de Benevento, situada na Itália, assumiu com o Bispo de Oeiras, Dom Edilberto Dinkelborg, o compromisso de abrir uma Fundação Missionária na Diocese de Oeiras-PI.
Para manter os primeiros contatos, em 1966 o Frei Antonio acompanhou o Superior Provincial Frei Querubim que veio da Itália para conhecer o lugar e estabelecer os primeiros entendimentos.
A partir deste momento a vontade de Deus se manifestou claramente e mudou completamente o futuro do Frei Antonio. O Frei Querubim, como Superior Provincial do qual o Frei Antonio dependia, mandou que ele se transferisse de Tocantinópolis a Floriano para iniciar a construção do Convento Franciscano da Ibiapaba, sede da futura Fundação Missionária. Argumentou, com propriedade, que era uma bênção de Deus dispor de alguém que já conhecia a língua, o povo, as dificuldades e as facilidades do lugar. Era necessário dispor de um ponto de apoio para poder mandar os primeiros missionários com um mínimo de segurança e não ao Deus-dará.
Foi um momento de prova para o Frei Antonio: deixar a realização da Rádio Tocantinópolis, projeto ao qual tinha dedicado sua vida, logo na hora final e conclusiva. Ele meditou muito mas o voto de obediência falou mais alto: comunicou ao Sr. Bispo Dom Cornélio a decisão do seu superior e sugeriu que, como já estava quase tudo pronto, outro técnico experiente poderia completar a montagem.
O Frei Antonio chegou em Floriano em fevereiro de 1967 e imediatamente iniciou a construção do Convento. Desenhou a planta, vestiu o macacão, juntou-se aos pedreiros e, após um ano, em 1968, as primeiras dependências estavam prontas e ele, cheio de emoção, acolheu os primeiros Confrades que chegaram da Itália: Frei Vicente, Frei Mariano, Frei Generoso, Frei Antonio Carmelo que logo se engajaram no trabalho pastoral paroquial. A Fundação Missionária Nª Sª das Graças tornou-se realidade!
O Frei Antonio tinha e tem a educação no sangue. Durante o ano de 1967, enquanto estava construindo o Convento da Ibiapaba, efetuou uma pesquisa abrangendo a evolução de Floriano no período de 1940 a 1960, focalizando especialmente a educação. O resultado da pesquisa o convenceu a criar um centro que mudasse o tipo de educação vigente naquela época. Era necessário olhar a criança e o jovem como pessoa, tendo como base a família, a sociedade, a religião e uma sólida cultura, desenvolvendo as potencialidades e habilidades de cada um. Fundou assim o Colégio Industrial São Francisco de Assis e iniciou as aulas no mês de abril de 1969. A aceitação por parte da comunidade foi grande e os órgãos educacionais do Piauí: a Delegacia Regional do Ensino, o Conselho Estadual, a Secretaria de Educação, se manifestaram dando o maior apoio à filosofia educacional preconizada pelo Colégio Industrial.
O acompanhamento do aluno e preparação como cidadão é esmerada. O nível cultural é alto. Os resultados vão muito além do normal. Na comunidade de Floriano e de outros municípios são muitos os ex-alunos que atuam como médicos, engenheiros civis e eletrônicos, arquitetos, geólogos, cientistas, professores, enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas, psicólogos, jornalistas, juízes, líderes políticos, bioquímicos, advogados, contadores, economistas, agrônomos, administradores de empresas, farmacêuticos, nutricionistas, biólogos, padres.
Pesquisa e texto: Mª Umbelina Marçal Gadêlha.

este é o tipo de pessoa, que todo o florianense deve lembrar e sempre ter como exemplo de vida e de perseverança. homem de Deus esse frei antonio, deixa um legado muito importante tanto na vida cotidiana propriamente dita, com na vida espiritual. que deus o receba em sua morada, e seu projeto seja também desenvolvido na outra esfera
Hoje é um dia de pesar pra cidade de Floriano e todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer e aprender com o mestre Frei Antônio Curcio. Um grande homem que deixou como legado uma enorme contribuição na formação moral e intelectual de várias gerações. Um revolucionário que abandonou seu país natal em nome de uma causa e que teve como missão de vida educar. Foram 43 anos dedicados ao seu maior projeto: o Colégio Industrial São Francisco de Assis. Teólogo, Filósofo, professor das mais variadas disciplinas como Física, Química, Eletrônica, poliglota. Um exemplo de amor ao conhecimento e principalmente às pessoas. Inspiração de vida. Dizem que os mestres não morrem, pois eternizam-se na alma de cada um de seus discípulos. Que assim seja. Siga em paz, Frei Antônio! Muito obrigado por tudo.
FREI ANTONIO, EMÉRITO PROFESSOR, MEU MESTRE MAIOR, FLORIANO TE DEVE MUITO, E FLORIANO, ATRAVÉS DOS SEUS FILHOS QUE EDUCASTES COMO SEUS, RECONHECE E ENALTECE O TEU LEGADO.
FOI UMA HONRA E UM PRIVILÉGIO PARA MIM E CERTAMENTE PARA OS MEU CONTEPORÂNEOS, NÃO SÓ TERMOS SIDOS TEUS ALUNOS, MAS TERMOS PRIVADOS DA TUA CONVIVÊNCIA NAS DIVERSAS ATIVIDADES EXTRA-CLASSE SOB A TUA BATUTA.
NÃO TRANSMITISTES APENAS CONHECIMENTOS ACADÊMICOS, MAS LIÇOÕES DE VIDA, FORMAÇÃO ÉTICA, VALORES IMPORTANTES DA VIDA. A TI, MEU MUITO OBRIGADO, FICARÁS INDLEVELMENTE MARCADO NA MINHA MEMÓRIA, ALIÁS, NA MINHA HISTÓRIA.
É BEM VERDADE QUE ERAS DURÃO- E TINHA QUE SER MESMO, A BEM DA DISCIPLINA, AO MESMO TEMPO TERNO E PATERNAL: NÃO ESQUEÇO DAS LEMBRANÇINHAS QUE SEMPRE NO TRAZIA DA SUA ITÁLIA. MISSÃO CUMPRIDA, AGORA É COM DEUS, E HORA DE DIZER-TE O MEU ADEUS…AMIGOS PARA SEMPRE…AMIGOS PARA SEMPRE!
Com muito pesar tomei conhecimento do falecimento de Frei Antonio,que tive a alegria e honra de conviver com o mesmo ,quando fui professor de química no Colégio Industrial na década de 1970.
Nos vários momentos que conversamos pude avaliar a capacidade e inteligência que o mesmo era possuidor.
E eu que tenho um imenso carinho por Floriano,mesmo morando em Recife,me solidarizo com toda a comunidade florianense neste momento de tristeza.
Falar de Frei Antonio é tarefa fácil, pois a sua inteligência e compromisso com a Educação era notável por todos aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com ele, eu fui aluna do colégio Industrial, fiz parte do coral na época regido por sua batuta. Frei Antonio era atualmente mais florianense do que italiano, devido ao tempo e amor dedicados a nossa cidade, ele foi um homem de visão futurista muito à frente do seu tempo, além de ter contribuido muito para o progresso e desenvolvimento da nossa terra. Tenho certeza que ele permanecerá vivo em nossas lembranças, pessoas que nem ele não morrem jamais, apenas vão morar no andar de cima por que sua missão aqui embaixo se cumpriu. Depois ele nos deixou de presente o Colégio Industrial São Francisco de Assis, referência em Educação, que já formou tantos florianenenses, instrução recebida junto com ética, religião e dignidade e esses ensinamentos que ele nos proporcionou, ninguém tira é um bem nosso que nos acompanhará até o fim dos nossos dias, onde também partiremos e lá iremos nos reencontrar. Vá com Deus Frei Antonio e obrigado por ter feito parte de minha vida, que sua alma descanse em paz. O senhor foi muito importante para Floriano, por esse motivo o nosso coração está triste e Floriano de luto. Obrigado senhor, por ter nos dado um presente tão valioso.
Frei Antonio:”Quando você foi embora,fez-se noite em meu viver”.Foi um prazer ter sido discípula sua , agradeço por todas as boas lições que me fizeram um ser humano melhor a cada dia.Sei que estarás presente em cada cidadão ,que compartilhou de forma direta e indireta da tua forma de ser:ORGANIZADO,FIRME ,CORAJOSO,HONESTO E OUTRAS.Só foi preciso colocar em prática os teus ensinamentos e levar para o resto da vida.Até hoje,tenho marcas profundas de um bom aprendizado que me fizeram um profissional melhor.Descanse,mas continue presente nas pessoas que sempre irão estar com você em pensamentos e orações.
quarta-feira, 4 de julho de 2012FREI ANTONIO CURSIO, O GRANDE MESTRE
Prezado Mestre, soube da notícia à noite, no mesmo dia do seu passamento. Não lhe falei do carinho, do respeito, da veneração que sempre tive pelo senhor. Julgo que não seria necessário confessar-lhe esse sentimento, embora sinta uma vontade incontrolável de declarar-me. A última vez que nos encontramos, foi no Teresina Shopping, aqui em Teresina, há três ou quatro anos, se não me engano.
O senhor estava na companhia da estimada professora Rubenita e de outras pessoas conhecidas. Foi grande a emoção. Abracei-lhe fortemente. Beijei-lhe a testa. Ah! Aquele encontro foi um dos mais emocionantes da minha vida. Uma sensação de filho pródigo tomou conta do meu coração, do meu corpo inteiro. Deveria tê-lo visitado mais vezes. Mas não o fiz. Foram infinitas as vontades que senti de ir à sua casa, ao Colégio Industrial São Francisco de Assis, em Floriano, para um reencontro, um abraço amigo.
Há coisas que não se deixam para amanhã. O senhor sabe muito bem disso e sempre nos alertou acerca das obrigações e tarefas escolares. “Tempo é ouro, não percam tempo, meninos. Estudem”.Todos serão profissionais no futuro. O bom profissional não negligencia seus compromissos. O senhor nos encantava com as lições de vida, os relatos de experiência, os inventos de eletrônica, com sua perseverança e sonhos inabaláveis. Tenho um poema para o senhor, recriado das suas aulas de eletricidade e eletrônica. Nunca lhe mostrei. Escrevi-oem Brasília, em 1976:
Eu sou o elétron,
Que se despreendeu da eletrosfera,
E desgarrado,
E triste,
E perdido,
Precipitou-se,
No vácuo que existe,
Para o além das camadas eletromagnéticas.
Agora, Frei Antônio, um amigo me telefona e diz que o senhor partiu. Faltam-me as pernas. Mantenho-me em silêncio. O amigo me consola do outro lado da linha. A vida é assim mesmo… Um dia partimos. Na manhã seguinte, pego a BR, dirijo meu carro sozinho na direção de Parnaíba, no sentido oposta a Floriano, onde jaz. Minha mulher e a minha filha me dizem que é perigoso dirigir sozinho na estrada. Mas não negligencio os meus compromissos.
Dediquei ao senhor minha palestra sobre Literatura Afrodescendente: a narrativa escrita de escravos negros do Brasil, Estados Unidos e Cuba, no IV Fórum Internacional de Pedagogia em Paraíba. Enquanto dirijo, ouço música e penso o tempo todo, meus olhos ficam cheios d’água. Há tempos não me sentia assim. Prezado Mestre, o senhor deixou o seu país para trás, a sua terra natal, num certo lugar da Itália, pais, irmãos, parentes, amigos. Não sei se ainda lembra quando nos conhecemos. Eu era criança. O senhor foi à oficina de ferreiro do meu pai, Aluízio Ferreira, para que fossem feitas as tesouras, as armações de ferro para a sustentação do teto do seu tão sonhado e querido Colégio Industrial, que estava em construção. Isso por volta dos últimos meses ou dias de 1968.
No início do ano seguinte, iniciaram-se as aulas com duas turmas de quinta série, inaugurando-se uma nova história no cenário da educação de Floriano. Eu era menino, o puxador de fole para o ferreiro esquentar o ferro na forja da oficina. Este ferreiro era o meu pai, que falava do sonho de me fazer doutor. Ele também era o meu sábio contador de histórias. Frei Antônio, os seus olhos brilhavam, o senhor falava como quem fosse “um encantador de serpentes”, tal qual, hoje, digo – um griot africano narrando histórias e eventos de sua aldeia. Fui encantado pelas suas palavras ali mesmo na oficina. No ano seguinte, tornava-me aluno-fundador da sua escola. Deve lembrar que, logo no primeiro ano, nós, alunos, fizemos o campinho de futebol. Fiz parte da banda musical, do coral, do jornal escolar. Aprendemos a fazer o nosso rádio com fone de ouvir. Éramos mais ou menos entre sessenta a setenta alunos e alunas, uma irmandade. Pobres de dinheiro e ricos de coragem, solidários. Depois, o Industrial cresceu, afirmou-se como ensino de qualidade incontestável, sobretudo, com a boa performance dos alunos egressos nos exames de vestibulares e como profissionais dentro das fronteiras ou além-fronteiras do Piauí.
Prezado Mestre, foram quarenta e quatro anos, quase meio século de dedicação ao ensino e à vida da cidade de Floriano. São tantos professores, advogados, engenheiros, jornalistas, médicos/as, enfermeiros/as, mestres, doutores/as, poetas, escritores, profissionais, pessoas de bem que receberam essa dádiva, o legado da sua coragem, os seus ensinamentos e sabedoria.Por último, quero dizê-lo que a árvore que o senhor plantou é como o Baobá, perdurará séculos. Da semente daquele Baobá, germinaram muitos outros Baobás amigos.Frei Antônio, muito obrigado por tudo! Descanse em paz.
Teresina, 03 de julho de 2012.
Elio Ferreira (Natural de Floriano/PI, Professor de Literatura na UESPI, Doutor em Letras pela UFPE).
Postagem Jalinson Rodrigues Nenhum comentário:
quinta-feira, 28 de junho de 2012Missão cumprida com louvor
Morre o homem, mas ficam os ensinamentos. Foi assim, com essa compreensão que busquei a conformação quando soube, através da internet, da morte de Frei Antônio Curcio. Uma pessoa marcante pelo esforço que dedicava em construir uma áurea permanente de conhecimentos e saber em tudo que se disponibilizava a fazer. Italiano da cidade de Montefalcone di Val Fortore, Frei Antonio foi um religioso com forte estigma de cientista e que estava anos a frente do seu tempo.
Felizmente no início da década de 1970 tive a grata felicidade de estudar no Colégio Industrial São Francisco de Assis e conviver por quase uma década com este sábio educador. Lembro-me com precisão das imagens da minha querida escola nos primeiros anos de existência. Chequei no Industrial, precisamente, no ano de 1974, egresso da Unidade Escolar Fernando Marques. Nesta época o Colégio São Francisco de Assis era restrito a algumas salas de aulas, um campo para práticas esportivas e uma oficina de marcenaria e eletrônica, onde o Frei Antônio exercitava sua vocação inventiva.
Repousa na minha lembrança ele apresentando para nós alunos equipamentos de amplificação de som e ensinando que se tratava do um sistema acústico, que se diferenciava dos demais existentes na cidade pela qualidade do som propagado. O comportamento vanguardista do padre era tão notório que naquela época ele já usava microfone sem fio, o que causava muita curiosidade entre os alunos e convidados para os eventos realizados no Colégio Industrial.
Outra doce recordação é a fase de construção da quadra do Colégio, quando o Frei realizava preleções sobre a necessidade da prática esportiva e de um espaço para a realização das atividades sócio educativas e culturais como as celebrações cívicas e comemorativas. Para conseguir o seu intento, o diretor Frei Antonio coordenou várias campanhas de donativos entre os alunos, pais de alunos e a sociedade florianense. Também, guardo as imagens dos ensaios e apresentações do coral da escola, que Frei Antonio regeu com a simplicidade de quem dominava o conhecimento musical. Neste turbilhão de memórias estão colegas contemporâneos, o Frei Vicente Cardone e a figura da professora Rubenita Ferreira, como fundamental auxiliar e coadjuvante deste projeto vitorioso.
No exercício da atribuição de diretor do Colégio Industrial, Frei Antonio era um educador rigoroso e defensor dos bons méritos e virtudes. Como religioso, foi um franciscano na verdadeira acepção do termo e pregava a existência de Deus na explicação para a exuberância da natureza.
Chegou a vez do mestre prestar contas com Deus, mas vai deixando a certeza de missão cumprida.
Postagem Jalinson Rodrigues Nenhum comentário:
Postagens mais antigas Início
Assinar: Postagens (Atom)